Residência Médica em Medicina de Tráfego


Residência Médica em Medicina de Tráfego na Unifesp - Impressões de uma Residente

Perguntam-me o que significa ingressar na residência de Medicina de Tráfego na UNIFESP e eu, recém aprovada para enfrentar novo desafio, respondo: trata-se de oportunidade única para evoluir no aprendizado dessa especialidade que eu aprendi a admirar e, ainda por cima, na melhor faculdade de medicina do Brasil. Tenho certeza que vou alcançar a tão sonhada realização profissional.
Demorei um pouco mais que meus colegas de turma para encontrar o caminho certo.     Quando resolvi prestar Medicina, há 13 anos, alimentava o sonho de curar pessoas ou pelo menos mitigar seu sofrimento, de fazer parte de algo bom, “fazer a diferença”.
Durante a faculdade e, principalmente, quando comecei a trabalhar, percebi que não seria fácil, porque não bastava ser médica, precisava ser diplomata, economista e muito persistente.
Para ajudar um paciente, além da anamnese e do exame físico, muitas vezes era preciso ligar para o plano de saúde para solicitar a liberação rápida dos exames, ligar para o laboratório para agilizar os resultados e se fosse necessária uma interconsulta, precisava entrar em contato com um colega e pedir para que ele atendesse o paciente, como um favor, pois não havia vaga para marcação de consulta. Essa situação se mantém e tornou-se ainda pior, nos dias atuais.
Ver o sofrimento do paciente, saber como ajudá-lo e ser impedida pela burocracia e interesses econômicos desestimula qualquer um e, como todo médico que trabalha não só em plano de saúde, como também no SUS, passei por um período de desilusão.
Nesses 7 anos de formada, o sonho de ajudar os outros foi sendo esmagado pela burocracia e falta de solidariedade existente nos planos de saúde.
Há 2 anos, quando entrei no curso de especialização em Medicina de Tráfego, tive aulas com um grupo singular de professores, que além de transmitir muito bem o conhecimento, reacenderam em mim aquele ideal de 13 anos atrás.  O que me chamou a atenção foi o amor que eles tinham pela Medicina de Tráfego e a persistência na busca de resultados que melhorassem a situação do trânsito no País. Nunca tinha visto tamanha força de vontade e dedicação em meu ambiente de trabalho. Depois que passei a freqüentar Jornadas, Congressos e, por fim, reuniões do departamento científico da ABRAMET, percebi que seria na Medicina de Tráfego que eu faria a diferença e melhor ainda, não lutaria sozinha.


Dra. Ivana Aguiar Mesquita