Atender o celular ao volante está entre as principais causas de acidentes em Teresina


O mototaxista Fernando Carvalho Oliveira sabe que o uso do celular ao volante é um risco para a sua segurança e de outras pessoas no trânsito. Mesmo assim, uma vez ou outra, ele larga uma das mãos do guidon de sua moto para atender as ligações do celular. “Não tem como, às vezes, é uma ligação para pegar algum passageiro e tenho que atender”, disse.

Conversar no celular quando ao volante reduz a concentração de um motorista em até 37%, de acordo com especialista de Trânsito. De acordo com informações da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) a desatenção do motorista ao celular é semelhante à de uma pessoa alcoolizada no volante.

 

A entidade alerta que se o condutor estiver a 50 quilômetros por hora, percorrerá 30 metros sem prestar atenção na pista, se estiver olhando o visor do celular para atender a uma chamada ou para discar um número, ou seja, tempo suficiente para atropelar alguém ou cruzar o sinal vermelho.

 

DADOS

O Anuário Estatístico de Acidentes de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) aponta que no ano passado foram aplicadas 45 multas à motoristas que dirigiam o veículo utilizando aparelho celular. È a 11º infração mais cometida nas ruas e avenidas de Teresina. Não é à toa que o uso indevido de celulares no trânsito têm sido motivo de preocupações ligada a questões de segurança. Afinal, o simples ato de ouvir uma ligação ou enviar uma mensagem de texto pode representar alto risco para acidentes de carro e motocicletas.

 

Adéia Lima, diretora do Departamento de Educação no Trânsito da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans), explica que os motoristas precisam manter não apenas as suas mãos na direção, mas também o cérebro concentrado na rua. “E já foi comprovado que o cerébro não consegue fazer várias ações com a mesma atenção, ou seja, isso tira a possibilidade de reação do motorista a qualquer tipo de imprevisto que possa acontecer no trânsito”, afirmou.

 

Segundo ela, até mesmo o tipo de conversa que a pessoa tem ao celular pode interferir na forma como o carro ou motocicleta será conduzido. Outras distrações, como comer, ouvir rádio ou conversar com um passageiro, também podem desviar a atenção do motorista da condução do veículo. Mas, garante que conversar com o passageiro ou ouvir música não representam os mesmos riscos para o motorista que o uso do celular.

 

"A pessoa do lado está no mesmo ambiente e pode interromper a conversa a qualquer momento, até para alertar o motorista", explica. De acordo com Adéia Lima, o motorista ao celular não olha o retrovisor, ziguezagueia, reduz velocidade e avança sinal.

 

PROIBIÇÃO

 

O Código Brasileiro de Trânsito, em vigor desde 1998, proibe o motorista de usar celular. E muitas pessoas acabam usando o fone de ouvido acreditando que a utilização desse recurso não é proibido. Mas, o código prevê a proibição do celular de qualquer forma, seja da forma tradicional ou com qualquer acessório auxiliar mesmo que permita manter as mãos no volante.

 

A diretora Adéia Lima acrescenta que o problema de atender o celular não se restringe a apenas tirar a mão do volante, mas ao desvio da atenção. "Muda completamente o foco. Até o ato de tirar o celular da bolsa ou de outro lugar dentro do carro já desvia a atenção do motorista ", afirma.

 

A multa para quem desrespeitar a proibição da lei será de R$ 85,13 e significará a perda de quatro pontos na carteira. “Sei que é perigoso, mas acho que vale a pena dar uma paradinha e atender com calma”, afirma o mototaxista Fernando Carvalho.



 

Fonte: Jornal Meio Norte